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ABDE promoveu encontro com associados para tratar do IRFS

A Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE) promoveu em Brasília, no dia 24 de fevereiro, um encontro dos dirigentes das instituições filiadas para tratar sobre as providências e implicações decorrentes da adoção das novas normas internacionais de contabilidade, a IFRS, sigla para a expressão International Financial Reporting Standards, conforme exige a legislação aprovada desde 2008. O novo ordenamento contábil internacional é fruto de um processo iniciado em 1973, que hoje conta com a adesão de praticamente 200 nações.

Durante o encontro a coordenadora da subcomissão de Assuntos Contábeis, Vânia Borgerth, chefe do Departamento de Contabilidade do BNDES, informou que três empresas já foram sondadas. “Como as propostas não eram comparáveis entre si, a subcomissão planejou uma proposta técnica de treinamento com carga horária de até 544 horas, dividido em três etapas: presencial, on the job – para elaboração de diagnósticos – e um grande workshop final, no qual os diferentes diagnósticos servirão como aprendizado”, esclareceu Vânia.

A empresa contratada também fará avaliação dos diferentes diagnósticos, para que as Instituições Financeiras de Desenvolvimento (IFDs) se sintam seguras para fazer a migração, que é um processo multidisciplinar. Apesar de contribuir para a melhor estruturação do mercado de capitais e para a atração de investimento externo para o setor produtivo, a coordenadora da Subcomissão de Assuntos Contábeis ressaltou que as maiores beneficiadas com o IFRS serão as pequenas e médias empresas, bem conhecidas das associadas da ABDE: “Para as empresas de menor porte, passar para um padrão mais transparente e menos informal vai reduzir muito o custo de captação. De acordo com o Banco Mundial (Bird) o IFRS vai acabar com a pobreza no mundo, uma vez que as pequenas e médias, apesar de serem as maiores empregadoras, têm vida muito curta por causa do alto grau de informalidade. Isso gera incerteza, e incerteza é risco”, ponderou.

Transparência – Na opinião de Vânia, o IFRS, longe de ser um encargo, é algo a ser abraçado, sobretudo pela cúpula das instituições, pois oferece informação mais completa, confiável e transparente. “Os gestores são os maiores interessados nisso, uma vez que cabe a eles a tomada de decisão”, disse, sublinhando a importância da capacitação planejada pela ABDE: “O que predomina no IFRS é o bom senso. Haverá transição das normas baseadas em regras para normas baseadas em princípios. Se o funcionário não domina o assunto não terá uma cartilha que possa orientá-lo passo a passo e a empresa se tornará escrava dos auditores. Como a responsabilidade do auditor é maior com o IFRS, ele tenderá a ser o mais conservador possível, pois assim assumirá menos risco.”

Por que adotar o IFRS? – Em sua palestra, o professor Nelson Carvalho, da Fipecafi/USP, que desde 1996 acompanha o processo de uniformização das normas contábeis, ressaltou que um dos maiores riscos dos gestores na hora de tomar decisões é a dúvida quanto à qualidade das informações financeiras. “E o risco sempre contamina preços. Isto é tão inevitável quanto a morte. O IFRS é conjunto robusto de normas que orientam o processo de elaboração das demonstrações financeiras para que o objetivo de bem informar seja atingido”, definiu.

Dois outros palestrantes também enriqueceram o encontro com suas apresentações: Renato Kiyota Uema, assessor sênior do Departamento de Normas do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil, que falou sobre a importância da implantação do IFRS nas instituições financeiras de fomento; e José Vicente Borges de Andrade Jr., gerente da Divisão do Departamento de Contabilidade do Banco do Brasil, a quem coube palestra sobre a experiência do banco na implantação do IFRS.

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ASCOM / ABDE


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