ENCONTRO AMÉRICA LATINA-EUROPA SE ENCERRA EM CLIMA DE OTIMISMO
06/11/2008
O IV Encontro de Entidades de Crédito Especializadas em Médio e Longo Prazos da América Latina e Europa, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, foi encerrado nesta quarta-feira, 5 de novembro, pelo vice-presidente de Países do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Otaviano Canuto, e pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Canuto afirmou que as instituições de fomento ganham neste momento mais uma função: atuar de forma contracíclica para atenuar os efeitos da crise global. “É papel nosso operar particularmente num momento como esse”, declarou, após criticar a alta alavancagem do mundo das finanças. “Não existe crescimento sustentável puxado por isso”, frisou, ao defender a economia real.
Luciano Coutinho, por sua vez, demonstrou otimismo com a manutenção da cooperação Europa-América Latina, que considera fundamental nesse momento porque, segundo avalia, a possibilidade de atenuar os efeitos da crise vai depender em grande medida das economias em desenvolvimento. “É muito importante que os países em desenvolvimento mantenham taxas de desenvolvimento minimamente satisfatórias”. Esta taxa para o Brasil e para a região latino-americana como um todo, segundo analisa, precisa ser de pelo menos 4% de crescimento do PIB para não comprometer os ganhos sociais dos últimos anos nem as metas estabelecidas para o milênio.
Luciano Coutinho diz que as instituições multilaterais devem contrabalançar em parte a contração de crédito e de liquidez do mercado. Ele disse que o Brasil tem meios próprios para isso, por exemplo, no caso específico do BNDES, Coutinho afirmou que o banco é capaz de sustentar 70% dos investimentos em infra-estrutura programados. Entretanto, muitos outros países precisarão de apoio para não terem seu desenvolvimento comprometido.
No segundo e último dia do evento promovido pela Alide e organizado pela ABDE, um dos temas discutidos foi o investimento das agências de desenvolvimento na internacionalização das micro, pequenas e médias empresas de seus países. O foco do Banco de Comércio Exterior da Colômbia (Bancoldex), segundo o vice-presidente Comercial da instituição, Fernando Esmeral, é justamente apoiar a modernização e as transformações de longo prazo para que as MPMEs possam se inserir no mercado internacional. Atualmente, apenas 8% das pequenas e 21% das médias empresas colombianos são exportadoras, enquanto 21% das pequenas e 38% das médias empresas são importadoras.
O Bancoldex apoiava exclusivamente empresas exportadoras até 2002, quando ampliou sua atuação. Atualmente, 58% das empresas apoiadas pelo banco são dedicadas ao mercado interno. Além dos programas que visam inovação e modernização, o Bancoldex também financia a liquidez das MPMEs, através de operações de curto prazo.
O diretor do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, enfatizou o Programa de Internacionalização das Micro e Pequenas Empresas, lançado este ano com o objetivo de aumentar em 10% o número de empresas exportadoras brasileiras até 2010. Para isso, 4.000 empresas serão apoiadas para que 1.200 se insiram no mercado internacional.
Já o diretor adjunto de Estratégia e Desenvolvimento de Negócio da Companhia Espanhola de Financiamento do Desenvolvimento (Cofides), Fernando Aceña, informou que cerca de 40 mil empresas de seu país exportam regularmente. O objetivo da Cofides é justamente apoiar os projetos espanhóis no exterior. O volume de investimentos no exterior vem crescendo, porém basicamente para países desenvolvidos. Países em desenvolvimento como o Brasil receberam mais atenção no final dos anos 90.
Também fizeram palestras nesta quarta-feira Eduardo Bandeira de Mello, da área de Meio Ambiente e Responsabilidade Social do BNDES; Garo Batmanian, do Banco Mundial; Cristian Palma, da Corporação de Fomento da Produção do Chile; Miriam Bratt, da Corporação de Crédito à Exportação da Suécia; Javier Alvaredo, do Banco de Investimento e Comércio Exterior da Argentina; e Rubens Amaral, do Bando Latino-Americano de Exportações (Bladex).
Após o encerramento do IV Encontro de Entidades de Crédito Especializadas em Médio e Longo Prazos da América Latina e Europa, no final da tarde, a ABDE ofereceu um coquetel para os participantes no Morro da Urca, cartão postal do Rio de Janeiro.
Para outras informações: www.alide.org.pe
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