CRISE GLOBAL TORNA-SE O CENTRO DAS DISCUSSÕES DO IV ENCONTRO DE ENTIDADES DE DESENVOLVIMENTO DA AMÉRICA LATINA E EUROPA
05/11/2008
A crise na economia global ocupou o centro dos debates nesta terça-feira, no IV Encontro de Entidades de Crédito Especializadas em Médio e Longo Prazos da América Latina e Europa, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. Quando o evento foi marcado, em maio passado, a bolha do sistema de crédito dos Estados Unidos ainda não havia estourado. “Caminhamos para uma recessão. Por causa do estancamento do sistema bancário privado, neste momento o encontro ganha especial importância”, destacou Luciano Coutinho, presidente do BNDES, na abertura do evento, na parte da manhã. Confiante na capacidade dos países em desenvolvimento resistirem à crise, ele afirmou que as instituições de fomento ajudarão a recuperação da economia global, fazendo com que a crise possa ser superada em um tempo mais curto.
Pedro Falabella, presidente da ABDE, ressaltou a importância das agências de desenvolvimento no contexto atual. “Nunca vi a crise vencer aqueles que buscam soluções”, afirmou, ao demonstrar seu tom otimista. O tom dos debates ressaltou a crise como oportunidade de fortalecimento dos bancos de desenvolvimento.
Também presente neste primeiro dia, Christoph Sigrist, chefe do Setor Financeiro e de Infra-Estrutura Econômica para a América Latina e o Caribe do KfW Bankengruppe, da Alemanha, afirmou que sua instituição manterá os investimentos na América Latina também neste momento de crise. Os projetos do banco de fomento alemão focam prioritariamente iniciativas de proteção climática e ambiental.
Já Enrique Villarreal, diretor geral técnico do Instituto de Crédito Oficial (ICO) da Espanha, estima que as instituições européias voltem-se mais para a recuperação de seus mercados internos em 2008 e em 2009. Segundo prevê, a América Latina não sentirá tão fortemente os efeitos da crise global como a Europa.
O presidente da Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (Alide), Luis Rebolledo, reconhece que, de fato, haverá restrição ao financiamento. “Isto é certo. E a capacidade de resposta deve ser rápida”, afirma. Ele diz que a crise será sentida nos campos comercial, financeiro, de ações (bolsa de valores) e também no setor produtivo. O caminho para os bancos de fomento neste contexto é “manter duas linhas fundamentais de trabalho: infra-estrutura, porque consolida o processo de crescimento; e inclusão social para buscar produtos financeiros e não-financeiros para quem não tem acesso ao crédito”. Como exemplo de ações de inclusão social, Rebolledo cita o investimento em cadeias produtivas agrícolas e programas de acesso a energia mais barata para as empresas de menor porte.
Também fizeram palestras no primeiro dia do encontro executivos dos bancos de fomento da Argentina, Venezuela, França e Rússia. No segundo e último dia, nesta quarta-feira, 5 de novembro, estão previstos debates com executivos de instituições de desenvolvimento nacionais como o Sebrae e o BNDES, e estrangeiras como, por exemplo, do Chile, Colômbia e Suécia. Garo Batmanian, do Banco Mundial, também estará entre os expositores.
O encontro acontece no auditório Reginaldo Treiger, no subsolo do BNDES, no centro do Rio de Janeiro.
Para outras informações: www.alide.org.pe
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